sexta-feira, 15 de março de 2013

A psiquiatria avalia os oito pilares da cultura ocidental


Um psiquiatra avalia os oito pilares da cultura ocidental

 

MARCO AURELIO BAGGIO

 

O autor reflete sobre a importância das oito colunas de sustentação do conjunto da civilização ocidental. O mito, o místico e a filosofia constituem o tripé proveniente da Antiguidade. A ciência, a economia capitalista e a política ampliam o escopo da cultura. A ética e a estética impõem-se como o fecho da abóbada, a pedra de toque e o coroamento que, a um só tempo, articulam os demais componentes, normatizam-nos e lhes dão encaminhamento e sentido prospectivo.

A cultura


        O homem é um animal inacabado. Incomodado com suas necessidades expostas em quase constante falta, o ser humano procura meios e modos de suprir suas carências. Como animal gregário, convivente e sagaz, o homem produz uma segunda natureza. Natureza cultural. Aquilo que vem a se tornar natural, próprio, em cada cultura humana.

Cultura é o complexo imbricado de crenças, conhecimentos, costumes, modos de produção, artes, linguagem, leis, moral, padrões de relações de convívio, instituições, aptidões e riquezas, serviços e folclore, sentimentos e festas, que constituem o modo de vida –  seja de um povo ou seja  de uma sociedade.      

        Só o homem interessa. A única ação nobre que há na vida de todos nós é educar, é conduzir por boas sendas outros seres humanos mais jovens.

        Cultura ocidental é o lugar do progresso: melhores alimentos; melhores objetos de conforto; melhor aplicação da justiça; maiores prazeres; maiores oportunidades.

        A maior característica constitutiva da cultura no Ocidente é a prevalência da liberdade do sujeito. Liberdade concebida como autonomia, ou seja, como a capacidade do indivíduo de poder estabelecer normas para si mesmo. Do  usufruto da liberdade pessoal decorre o valor da responsabilidade do indivíduo perante seus atos e por suas opções.

 

Os pilares da cultura ocidental


       

O primeiro pilar que se ergue para sustentar a cultura ocidental é o mito. A mitologia é uma coleção de criações imaginárias e de explicações fantasiosas acerca dos formidáveis fenômenos repetitivos que acontecem na natureza e na vida humana.

        O segundo pilar da cultura é constituído pelo místico. Diante da constatação da precariedade da vida e da fragilidade da condição humana, as comunidades primitivas sofrem as agruras de seu desamparo em um mundo que lhes é sempre indiferente, passaram a conceber poderosos seres supra-humanos, gigantes, titãs, deuses.

        O terceiro pilar da cultura é a filosofia.

Homens ociosos deram de colocar sua razão a emitir juízos, utilizando a lógica. Foi na Grécia, que notáveis cogitadores sobre a existência e a condição do homem, amantes do conhecimento, tornaram-se amigos da sabedoria: filósofos.

         A ciência constitui o quarto pilar da civilização ocidental. Ela é a mais visível e a mais confiável coluna de sustentação do estamento ocidental.

        Ciência e sua acólita, a  tecnologia, mudaram radicalmente, para melhor, nosso modo cotidiano de vida. Ela constitui  um sistema de conhecimento desenvolvido com o objetivo de organizar a realidade à nossa volta. A principal razão para a credibilidade e o sucesso obtidos pela ciência se deve ao fato de que esta tem um mecanismo de correção de erros embutido em seu próprio âmago.

O quinto pilar da cultura ocidental é a economia. É ela a deusa ascendente responsável pela abundância de recursos colocados à disposição da sociedade. A atividade econômica é a fonte de criação da riqueza em toda sociedade.        Surgiu assim o sistema do capital – o capitalismo – como o mais formidável sistema de criação e de expansão da riqueza que já houve na história da humanidade.

       

        O sexto pilar que sustenta a cultura ocidental é a política. Ela é a arte, a ciência e a prática de governar uma comunidade ou uma nação. É também a argamassa, o cimento que permite juntar os múltiplos componentes – frequentemente díspares e conflitantes –, que possibilitam organizar a sociedade.

O sétimo pilar da civilização ocidental é constituído pela ética. Esta é fruto do intelecto humano quando este se imiscui no âmago das coisas para inteligi-las, tornando-as scire, discernidas. Conhecidas.

Conhecimento acarreta psiquização, cujo produto imediato é a expansão da consciência. Esta, por sua vez, instrui a mais elevada prerrogativa humana, que é o espírito, o qual contribui para estabelecer uma visão acurada e abrangente das todas circunstâncias da vida humana.

 

        O oitavo pilar é a estética. Trata-se da nobre e sublime capacidade humana de apurar o belo. O belo é aquilo que agrada e deleita o espírito, esse coalizador máximo dos bons atributos humanos.

        Um pugilo de Homens Bons precisa ajuizar as dispersivas e muitas vezes deletérias atividades egoístas de povos, de  nações e de corporações.

Este nosso pequeno planeta precisa, urgentemente, de erigir um grande referente humano, um Governo Global capaz de administrá-lo ecológica e eticamente. Dessa maneira, poderemos aspirar  viver sob os eflúvios da estética.

 

 

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