Do Sublime
Marco Aurélio
Baggio.
Livro de ouro... que faz o elogio do
salto ao risco. O gênio contém vigor, valor único, exigência de tensão,
energia, determinação. Eis o que torna a obra sublime.
Trata-se de um
dom, de uma graça especial. O poeta é grande pela natureza e pela arte. Physis e nómos: dom biológico,
inato, acoplada à regra, à técnica, à norma.
É necessário
estimular nossos dons naturais para a grandeza. Precisamos de aguilhão para
desenvolver nossos potenciais inatos e latentes. Também precisamos de freio, de
contensão e de parâmetros para regular e conduzir nossa violência pulsional
desembestada.
A natureza dá
leis a si mesma. Ela é autônomos.
O método define as quantidades e as ordenações. O Káiros é a ocasião oportuna que nasce da
visão clínica do artista por sobre o conjunto circunstante de oportunidades.
Trata-se da diagnose, do discernimento. Inserir a quantidade na qualidade é um
valor.
15 – Sublime é
o que agrada universalmente sempre a todos. Longino possui uma cultura, uma humanitas. Pensamentos elevados -> logos, ratio, nous.
Paixão violenta -> pathós.
17 O sublime é o eco da grandeza da alma: megalophrosyne. Paradoxo da resposta em
silêncio.
Ennóia é o conceito, pensamento.
Phrónema designa tanto pensamento quanto
sentimento. Três grandes poetas: Homero, Demóstenes e atrás, Platão. Também
Tucídides.
21 O sublime ri
das distinções e das categorias que artificialmente estabelecemos.
22 Lucano
descreve a guerra civil presente no mundo interno das pessoas, com todas as
angustias humanas que não encontram guarida fora dela.
Pela idéia da
criação judia, deus é onipotente. Para os gregos, deus nada pode criar ex nihilo. Para eles, há coisas por
natureza impossíveis. A natureza é autônomos,
produz sua própria lei.
Deve-se
constranger o múltiplo disperso em união, em unidade. Articular os membros
componentes distintos.
O escritor cria
para o futuro, à partir do enfrentamento desassombrado de seus concorrentes,.
26 O sublime torna-se sublime para
todos os homens e para a eternidade.
É necessário a
amplificação (aúxesis) do tema. Sua
imitação (mímesis) e sua aparição (phantasia): o imaginário.
O sublime
reside na elevação, na qualidade, na chegada do talento. Sem deuses, sem musas,
sem fisiologia.
É necessário
uma exaltação violenta de espírito para rivalizar com os grandes antecessores.
Pensar é ver,
visualizar. Mesmo aquilo que a Phantasia
não viu ainda.
Metáfora possui
clareza, concordância, adequação e leve estranheza. Phós: a luz.
Paradoxo da luz
é por em evidência, fazer aparecer, triunfando sobre a sombra que a acompanha.
33 O sublime visa o sobre-humano.
Supõe o risco. Xenofonte descreve com acuidade o olho e o corpo humano. É
craque em descrever a anatomia humana.
Se prende à
força, à vitalidade do escritor, questão de pnêuma,
e de tonos.
O sublime é a
violência que desequilibra, a audácia de expressão que reside próxima ao
transe, ao delírio, ao êxtase, e à paixão.
37 Plotino conceituava a arte como
“estupor, choque suave, desejo, amor e terror acompanhado de prazer.” Freud
manifestou terror ao postar-se diante da estátua de Moisés esculpida por
Michelangelo.
O éthos é o caráter, a moralidade.
39 O páthos está
para o sublime, assim como o éthos
está para o prazeroso.
O sublime de
Longino é uma estética sem ilusão.
Do Sublime.
43 O pequeno
tratado de Cecílio sobre o sublime, meu caro Postúmio Terenciano apenas mostra
o assunto. O sublime é alcançar o ponto mais alto, a eminência do discurso. É o
que conduz ao êxtase, lançando ao redor do tempo a rede de sua glória.
O sublime causa
choque, o maravilhoso supera aquele que visa apenas persuadir e a agradar. É um
raio que dispersa tudo e concentra a força do orador.
45 É necessário pastorear a
grandeza. Precisa de aguilhão mas também de freio.
Para
Demóstenes, o maior bem é a sorte. O segundo, é deliberar bem.
São vícios: Evitar o inchaço; evitar a paixão vazia e fora
de propósito ou parentirso. Frieza.
50 O que está na origem de nossos
bens também está quase sempre na origem de nossos males.
51 Nenhuma coisa cujo desprezar
tenha grandeza é grande, tal como riquezas, honras, distinções, tiranias. Sob o
efeito do verdadeiro sublime, nossa alma se eleva e, atingindo soberbos cumes,
enche-se de alegria e de exaltação, como se ela mesma tivesse gerado o que
ouviu.
52 Grande é o inesquecível e o
inapagável.
Sublime é o que agrada sempre e a
todos.
52 Cinco fontes do sublime:
1- A aptidão e a adequação da palavra.
2- A paixão violenta criadora de entusiasmo.
3- A fabricação de figuras e de imagens.
4- A expressão da nobreza de idéias e de sentimentos.
5- A composição digna e elevada.
Evitar paixões baixas: lamentações,
temores, sofrimentos, pensamentos ignóbeis.
O sublime é o eco da grandeza da
alma.
Buscar a hipérbole da grandeza, o impulso para o grande
salto rumo ao transcendente laico, não divinatório. Zoilo chama os homens de
“porquinhos chorosos.”
59 Tornar o discurso sublime é atar
as partes que coexistem com a matéria que as constitui, escolhendo sempre os
elementos constitutivos essenciais, articulando-os uns com os outros,
integrando-se por fim, num só corpo.
64 Platão na República: quando os homens são levados para baixo, ele se matam
por causa de seu insaciável desejo.
65 Imitar os grandes escritores e
poetas sobem os eflúvios, tornam-se capazes de profetizar grandezas.
A fonte
Homérica fez derivar para si milhares de riachos a partir de Platão.
Homero é o
primeiro, Rivalizar com ele é sadio. Buscar grandeza de expressão e elevação de
pensamento. Colocar nosso discurso sob o julgamento de Homero, de Demóstenes,
de Tucídides. Buscar a veemência.
68- Eurípedes busca representar na
tragédia o delírio e o amor.
71 De duas coisas colocadas juntas,
a mais forte atrai sempre a força da outra.
73 “Nenhum homem se alegrará de
afligir meu coração.” Êupolis.
75 Interrogar e responder a si mesmo
como a um outro torna mais digno de fé e mais sublime.
131 Assíndetos são ausência de
ligações entre as palavras. Anáfora é repetição de uma palavra. Epanáfora.
Quatro paixões estóicas fundamentais: dor, alegria, temor, desejo.
77 Ordem desordenada. A desordem
contém em si, já, certa ordem.
78 Hiperbatos: ordem de pensamentos
ou de sentimentos perturbados por paixões violentas. Sabe-se que as paixões são
inumeráveis.
81 Assuntos que admitem a jactância,
a abundância (Poros) ou a hipérbole
ou a paixão. Pendurar sinos por toda parte é coisa de sofista.
85- Perífrase contribui como
acessório acompanhamento para o sublime. “Fazeis do esforço o guia de uma vida
feliz.” Xenofonte.
86- A escolha dos termos próprios e magníficos
atrai e encanta os ouvintes. É a preocupação máxima do literato, pois
proporciona grandeza, beleza, belo verniz, peso, força, vigor e um certo brilho
aos discursos. Os belos nomes são a luz própria do pensamento.
São a
substancia e os substantivos do discurso.
O que é
familiar inspira já mais confiança.
Aristóteles e
Teofrasto ensinam maneiras de atenuar a ousadia das metáforas: “Por assim
dizer”.
“Se
alguma forma”.
“Se
é preciso falar dessa maneira”.
“Se se deve falar com uma temeridade particularmente
excessiva.”
89- Xenofonte pinta pomposamente a
anatomia do corpo humano. O prazer dos humanos é a isca do mal e a língua a
pedra de toque do gosto.
90- As metáforas são criadoras do
sublime.
91- As naturezas superiores são as
menos isentas de defeitos uma vez que cometem um pouco de negligência. A
memória do erro subsiste sem se apagar, enquanto o belo desaparece rapidamente.
Os grandes caem
por causa de sua própria grandeza.
Apolônio e
Teócrito são perfeitos. Porém menores que Homero, mesmo quando Homero cochila.
94- A natureza não nos fez um ser
vil e baixo. Somos contempladores de tudo que se passa e lutadores cheios de
ambição; logo ela fez nascer em nosso psiquismo um amor invencível a tudo que é
eternamente grande e mais sublime.
95- As intuições atravessam os
limites do invólucro. O que se admira é sempre o inesperado.
95- Grandes homens estão longe de
ser isentos de erros. No entanto, o sublime os eleva perto de grandeza. Compram
seus erros com um único acerto perfeito do sublime.
99- Arranjar as palavras com
harmonia para persuadir e agradar aos homens. A harmonia faz uníssono com o
sublime.
100 A contribuição de numerosos
elementos constitui a grandeza.
105- Não descer á sujeira, á
cozinha, às coisas desprezíveis. A natureza escondeu o quanto pode nossas
excreções. Xenofonte.
106- A liberdade é apta para nutrir
os pensamentos dos grandes espíritos e para enchê-los de esperança. Também para
derramar o desejo de rivalidade recípocra e de concorrência pelo primeiro
lugar.
107- É próprio do homem censurar
sempre o presente. Mas é a guerra (interna) que mantém nossos desejos em
tormenta, o que destrói as grandes naturezas.
Somos todos
doentes por não podermos nos fartar.
O amor ao
prazer fazem-nos escravos. É a mais aviltante das doenças.
A riqueza gera
filhos como a cupidez, o orgulho, a luxúria e mais tarde, tiranos inexoráveis,
como seja a violência, a ilegalidade e a impudência.
O homem deve
olhar para o alto, buscando renome na posteridade.
Livres talvez
nossas ambições queimariam o mundo inteiro com seus crimes. Por isso, tantos
preferem ser comandados a ser livres.
113- Eunápio: Longino é uma
biblioteca e uma universidade ambulante.
Hipócrates: a arte é longa, a vida, á curta, a ocasião é
aguda.
O saliente é o que sobressai; a eminentia de Plínio.
123 – Mania e pneuma. Loucura e sopro. É o transe da Pitia, o Oráculo do
templo de Delfos.
134- O Doríforo de Policleto é o
Cânone: Livro e estátua. Contém: relação, proporção, uma vez que a medida áurea
é o que é essencial.
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