O LUGAR DA
AUTOESTIMA NA
QUALIDADE DE VIDA
Marco Aurélio Baggio
Autoestima
é a capacidade inata de gostar de si mesmo, mantendo o amor-próprio, o
narcisismo positivo, o autorespeito e a própria dignidade.
Trata-se da
arte de se bem-amar. É também a ciência
da observação da boa conduta pessoal, constatando o proveitoso processamento de
tudo aquilo que acontece conosco subjetivamente, bem como em nosso envolvimento
com os outros e com o mundo externo.
Qualidade
de vida é não ter que admitir aborrecimentos desnecessários.
Autoestima
provém do colo e do sorriso da mãe. É dela, de seu olhar de sustento bondoso
que se instaura no filhote a sensação de ser benquisto. Depois, ele próprio
desenvolve sua autoestima, por toda a infância, por meio do brincar. O brinquedo
cria contato com o entorno, desenvolve habilidades crescentes, provê prazer e
satisfação, dando identidade ao pequeno sujeito. Mais tarde, a escola e as
amizades darão novos suportes à estruturação da autoestima. Este processo
contínuo culmina na idade adulta, com o trabalho pessoal exercido com adequação
e proficiência, consolidando o autoconceito precioso que a pessoa faz de si
mesma.
A
capacidade de se bem querer é requisito básico para que se leve uma vida
saudável. Ele desempenha verdadeira função psíquica de imunização de cada um de
nós em face dos conflitos, dos infortúnios e dos desacertos que nos acometem
durante a vida.
Autoestima
permite o surgimento de resiliência, isto é, a capacidade de suportar tensões,
incertezas e vicissitudes desfavoráveis por longos períodos. Dela derivam a
força para exercer os bons desempenhos e a capacidade de regeneração dos
desgastes e ofensas sofridos.
Autoestima
implica o desenvolvimento da responsabilidade pessoal pelos atos praticados e
pelas escolhas exercidas. Traduz autoconhecimento atualizado, que amplia a
capacidade do indivíduo de estabelecer bons relacionamentos. Importa também o
reconhecimento de seus limites e de seus erros e, com humildade, a coragem de
recomeçar a partir daí.
Querer-se
bem é cabedal, lastro, cerne, fulcro, capital vivencial acumulado, saldo
pessoal que permite sustentar e cobrir as falhas e as insuficiências com as
quais claudicamos neste vale de lágrimas. Ele tempera o humor, mantém elevado o
índice de disposição para enfrentar problemas e arrostar desafios. Facilita o
aparecimento da criatividade. Lubrifica as relações interpessoais. Preserva o
vetor do sentido e do objetivo da vida. Avaliza o processo de apetrechamento e
a habilitação pessoal do sujeito.
Fundamento da motivação que
nos propulsa para ir além, para obter vantagens e consolidar conquistas, a
autoestima é ingrediente essencial para a sobrevivência. É atributo imperativo
para a adaptação a um mundo cada vez mais exigente, complexo, desafiador,
competitivo, desconcordado e, no limite, incompreensível.
Nenhum comentário:
Postar um comentário