Dinheiro
Marco Aurélio Baggio
O
dinheiro é a maior invenção da humanidade. É o viabilizador geral das relações
entre os homens.
No
mundo capitalista, tudo faz passagem pelo dinheiro. Tudo se mede por uma
quantia em dinheiro.
A
vida entre humanos se dá mediante trocas. A
pecúnia é o fiador geral dos intercâmbios entre os seres humanos.
A
moeda, com seu valor de face acreditado pelos atores em uma sociedade, é a
insígnia de valor que flui e possibilita o comércio dos produtos, das
mercadorias e dos bens que enriquecem as pessoas e as sociedades.
Se 2 ou 3 bilhões de habitantes do planeta
ainda vivem com 1 dólar de renda diária, dá pena vê-los viver uma vida tão
pobre. Para esses miseráveis, nem tudo é o dinheiro. Tudo é a falta do
dinheiro. A miserabilidade da escassez da água, a alimentação desnutrida, a
falta de esgotos e as habitações paupérrimas são inexoráveis decorrências.
Como
diz amiga minha:
–
Já fui pobre, já fui rica. Ser rica é melhor...
Tradicionalmente,
o trabalho bem executado e bem remunerado é a mais importante fonte de criação
de riqueza.
Assim,
o trabalho contratado por alguém ou por algum órgão ou empresa dele necessitado
gera um estipêndio, uma contrapartida, sob a forma de remuneração ou salário.
Salários
acumulados constituem a renda que permite fartura, abundância de aquisições e
de consumo. Renda sustentada ao longo de meses ou de anos gera afluência, isto
é, acesso à variedade de bens de consumo variados e suntuários.
Excesso
de dinheiro desperta a ganância, essa má virtude que implica o acúmulo
obsessivo, descomedido, de dinheiro sobre dinheiro.
O
homem rico habitualmente torna-se uma pessoa ávida em acumular mais cabedais.
Há
uma regra: quem é muito rico tende a acumular mais e mais fortuna.
Por
isso, há uma lei no capitalismo a indicar que o dinheiro tende a se acumular na
posse de quem tem mais e mais dinheiro.
O
trabalho de bilhões de indivíduos gera riquezas que fazem passagem pelo
dinheiro.
O
sistema do capital criou um agente esperto, altamente eficaz e operativo: o
lucro. Toda atividade econômica deve ultrapassar seu custo de produção e gerar
um excedente, um surplus, um algo mais, um busílis, um objeto a,
chamado lucro.
É o lucro que compensa e compassa a
trabalheira, o desgaste, o emprego das horas de vida despendidas na tarefa. É o
lucro que coroa com satisfação afetiva e realização pessoal o empreendimento
efetivado. O lucro é o brilho decorrente do trabalho bem feito.
Mais que a posse da terra, o butim
de guerra extorquido, mais que os princípios de honra ou de preconceitos, o
dinheiro, uma vez acumulado sob a forma de capital, pode ser emprestado de um
possuidor a outro, tomador de empréstimo, para fecundar seu empreendimento.
Desde a aurora dos tempos, o rico possuidor empresta seu dinheiro ao
necessitado tomador, mediante a imposição de uma taxa a mais de restituição.
Esse
menino moleque, solerte e artiloso, chama-se juros. A taxa de juros
obriga o tomador a ser diligente e muito produtivo para com o capital que lhe
foi emprestado. Ao fim do prazo contratado, terá de devolver o capital,
acrescido dos juros combinados e, dessa operação, tratará de apurar o seu
próprio lucro, o que, eventualmente, permitir-lhe-á acumular seu próprio
capital. Haja diligência, esforço e confiança em si mesmo!...
Por
fim, é bom lembrar que dinheiro não é elástico, não estica. Dinheiro só se
gasta uma vez.
Endividar-se
é contaminar-se, inoculando um câncer em seu psiquismo.
Sobretudo,
é imprescindível cautela no trato com o dinheiro, uma vez que não admite
desaforo.
Já
as relações que implicam dinheiro à vista, na hora, esplande qualquer pessoa.
Sabe-se,
com certeza, que não há nada como o dinheiro para estimular as boas inclinações
das pessoas. Os talentos quase só afloram sob o influxo generoso do mecenato.
Foi a posse de quantias suficientes
e sustentadas por décadas que permitiu surgisse a classe média. Esta que, desde
o século XIX, postou-se entre a aristocracia, a burguesia e os plutocratas, em
cima, na pirâmide social, com os operários, os pequenos assalariados e os
miseráveis excluídos, colocados nos estratos inferiores da pirâmide social. A
enorme classe média, como detentora do dinheiro bastante para o consumo,
permitiu o aparecimento da sociedade moderna ocidental em todos os países que
tiveram a felicidade de constituí-la. Sabe-se que é a extensa classe média que
sustenta a maior e a mais pujante parcela da economia de um país em prosperidade.
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