quinta-feira, 21 de março de 2013

Dinheiro


Dinheiro

 

Marco Aurélio Baggio


 

            O dinheiro é a maior invenção da humanidade. É o viabilizador geral das relações entre os homens.

            No mundo capitalista, tudo faz passagem pelo dinheiro. Tudo se mede por uma quantia em dinheiro.

            A vida entre humanos se dá mediante trocas.  A pecúnia é o fiador geral dos intercâmbios entre os seres humanos.

            A moeda, com seu valor de face acreditado pelos atores em uma sociedade, é a insígnia de valor que flui e possibilita o comércio dos produtos, das mercadorias e dos bens que enriquecem as pessoas e as sociedades.

             Se 2 ou 3 bilhões de habitantes do planeta ainda vivem com 1 dólar de renda diária, dá pena vê-los viver uma vida tão pobre. Para esses miseráveis, nem tudo é o dinheiro. Tudo é a falta do dinheiro. A miserabilidade da escassez da água, a alimentação desnutrida, a falta de esgotos e as habitações paupérrimas são inexoráveis decorrências.

 

            Como diz amiga minha:

        Já fui pobre, já fui rica. Ser rica é melhor...

 

            Tradicionalmente, o trabalho bem executado e bem remunerado é a mais importante fonte de criação de riqueza.

            Assim, o trabalho contratado por alguém ou por algum órgão ou empresa dele necessitado gera um estipêndio, uma contrapartida, sob a forma de remuneração ou salário.

            Salários acumulados constituem a renda que permite fartura, abundância de aquisições e de consumo. Renda sustentada ao longo de meses ou de anos gera afluência, isto é, acesso à variedade de bens de consumo variados e suntuários.

            Excesso de dinheiro desperta a ganância, essa má virtude que implica o acúmulo obsessivo, descomedido, de dinheiro sobre dinheiro.

            O homem rico habitualmente torna-se uma pessoa ávida em acumular mais cabedais. 

            Há uma regra: quem é muito rico tende a acumular mais e mais fortuna.

            Por isso, há uma lei no capitalismo a indicar que o dinheiro tende a se acumular na posse de quem tem mais e mais dinheiro.

            O trabalho de bilhões de indivíduos gera riquezas que fazem passagem pelo dinheiro.

            O sistema do capital criou um agente esperto, altamente eficaz e operativo: o lucro. Toda atividade econômica deve ultrapassar seu custo de produção e gerar um excedente, um surplus, um algo mais, um busílis, um objeto a, chamado lucro.

            É o lucro que compensa e compassa a trabalheira, o desgaste, o emprego das horas de vida despendidas na tarefa. É o lucro que coroa com satisfação afetiva e realização pessoal o empreendimento efetivado. O lucro é o brilho decorrente do trabalho bem feito.

            Mais que a posse da terra, o butim de guerra extorquido, mais que os princípios de honra ou de preconceitos, o dinheiro, uma vez acumulado sob a forma de capital, pode ser emprestado de um possuidor a outro, tomador de empréstimo, para fecundar seu empreendimento. Desde a aurora dos tempos, o rico possuidor empresta seu dinheiro ao necessitado tomador, mediante a imposição de uma taxa a mais de restituição.

            Esse menino moleque, solerte e artiloso, chama-se juros. A taxa de juros obriga o tomador a ser diligente e muito produtivo para com o capital que lhe foi emprestado. Ao fim do prazo contratado, terá de devolver o capital, acrescido dos juros combinados e, dessa operação, tratará de apurar o seu próprio lucro, o que, eventualmente, permitir-lhe-á acumular seu próprio capital. Haja diligência, esforço e confiança em si mesmo!...

            Por fim, é bom lembrar que dinheiro não é elástico, não estica. Dinheiro só se gasta uma vez.

            Endividar-se é contaminar-se, inoculando um câncer em seu psiquismo.

            Sobretudo, é imprescindível cautela no trato com o dinheiro, uma vez que não admite desaforo.

            Já as relações que implicam dinheiro à vista, na hora, esplande qualquer pessoa.

 

            Sabe-se, com certeza, que não há nada como o dinheiro para estimular as boas inclinações das pessoas. Os talentos quase só afloram sob o influxo generoso do mecenato.

            Foi a posse de quantias suficientes e sustentadas por décadas que permitiu surgisse a classe média. Esta que, desde o século XIX, postou-se entre a aristocracia, a burguesia e os plutocratas, em cima, na pirâmide social, com os operários, os pequenos assalariados e os miseráveis excluídos, colocados nos estratos inferiores da pirâmide social. A enorme classe média, como detentora do dinheiro bastante para o consumo, permitiu o aparecimento da sociedade moderna ocidental em todos os países que tiveram a felicidade de constituí-la. Sabe-se que é a extensa classe média que sustenta a maior e a mais pujante parcela da economia de um país  em prosperidade.

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