Mescolando pela segunda vez Michel Onfray e
Marco Aurélio Baggio, agora baseados no livro
A
Potência de Existir
São Paulo: Martins Fontes, 2010.
Michel Onfray
Marco Aurélio Baggio
Pulsão
bovarística – sonhar com grandezas, delicias e idealidades românticas da vida e
não vive-la realmente.
Ninguém
se recupera de um dia ter sido rejeitado pela mãe.
Infancias
postas sob o signo da negatividade.
O abandonado torna-se abandonador.
Não se
escapa de uma prisão não murada.
Excele-
do verbo excelir.
Onde e
quando o espaço para usufruir calmamente de um pouco de si?
O mundo
dos vivos é um inferno.
Selvageria
das hordas movidas pelo cérebro reptiliano.
Só
crescemos oferecendo o gesto de paz necessário àqueles que soltaram os
cachorros contra nós: a magnanimidade é uma virtude de adulto. Que eu não
disponho!
Informado
sobre a enorme potência das paixões tristes, quero a cultura e a expansão dessa
“potência de
existir”, seguindo a feliz fórmula de Espinosa, encastoada em sua Ética.
De livro
a livro, reproduzem-se os mitos...
A
filosofia não nasceu no século. VII a.C. com os Pré-socraticos. Existia antes
em povos antecessores: sumérios, hititas, babilônios, hindus, persas,
chineses..
Não
surgiu dos gregos brancos. A democracia só existiu em Atenas. E não em toda a
Grécia.
A nossa é
uma civilização marcada há 2000 anos por uma visão cristã.
A
historiografia dominante procede de um a priori platônico em virtude do
qual o que procede do sensível é uma ficção. A única realidade é invisível,
etérea, intangível. A verdade das Iidéias, excelência do mundo inteligível,
beleza do conceito.
Whitehead brinca: a tradição filosófica na
Europa consiste numa sucessão de notas acrescentadas ao texto de Platão.
Vigora o
principio cristico,celebrando a religião da Idéia e do idealismo. Sócrates,
Platão e São Paulo E nos Pais da Igreja. E nos idealistas alemães..
A
filosofia idealista, eis a religião revelada da Razão ocidental. Dualismo, alma
imaterial. Reencarnação, desconsideração do corpo, o ódio à vida, o repudio às
pulsões, o gosto pelo ideal ascético, a salvação após trespasse da carne ou a
danação post-mortem dos pitagóricos, dos platônicos, dos cristãos
convivem às mil maravilhas.
Mais
tarde, o idealismo alemão iniciado por Kant e magnificado por Hegel: arrogante,
suficiente, pretensioso, nacionalista.
Momento
platônico.
Tempo
cristão > – Descartes.
Idealismo
alemão. Kant, Hegel e outros.
Michel Onfray leciona na Universidade Popular
de Caen.
Platão
quis queimar a obra em auto de fé de Demócrito.
Hegel
desqualificava os cínicos.
Epícuro
desqualificado: um porco, o filosofo do Jardim.
Atacam a
ataraxia e o atomismo.
O que
incomodava os Pais de Igreja era o fato de que Epícuro ensinava que se
devia querer a felicidade na Terra,
aqui e agora. A imanência , o real, a matéria, a vida, o vivo, tudo o que
celebra a pulsão de vida. Preferia modestas proposições filosóficas viáveis a
construções conceituais sublimes, postas em um mundo inalcançável e inabitável,
criado como uma ficção para os tolos e crianças.
O projeto
de Epícuro: O puro prazer de existir...a carne, o corpo, a felicidade, a
alegria. Construir soluções com o mundo e com os homens efetivos.
Pascal
diz que o EU é odioso. E utiliza 753 vezes a palavra EU em seus pensamentos.
O EU
possui um estatuto singular: o de aprender o mundo a fim de penetrar alguns de
seus segredos. O Hápax existencial deriva de um pensamento que provém da
interação entre uma carne subjetiva que diz EU e o mundo que a contém. Surge do
corpo, sobe da carne e provém das entranhas. Em algum momento ocorre – o
não sei quê – o insight, a iluminação súbita, a vivência
redentora e integradora das contradições e das tensões acumuladas no corpo e no
psiquismo do filósofo. Seu Hápax existencial. Relâmpago que ilumina e configura
o destino em potência ao se efetivar.
A
decodificação de uma egodicéia.
– Corpo do artista tope de linha
destinado ao conhecimento pelos abismos – Michaux.
É
possível e desejável uma egodicéia, proveniente de um inconsciente vitalista,
energético, imaterialista, histórico.
E não o
platonismo que oferece o fantasma de um pensamento sem cérebro, de um reflexão
sem corpo, de uma meditação sem neurônios, de uma filosofia sem carne, cujo
texto paira no éter, sem raízes, idéias puras descidas diretamente do céu para
se dirigir a alma sem extensão.
O Jardim
de Epícuro é aberto a todos.
Com São
Paulo, basta seguir suas cartas que acabou-se a vida filosófica. Ele pensou
tudo por todos e para todos. C’est fini!
A
teologia mata a filosofia.A teologia é a falsa ciência do deus. Não existe no
Tanah nem em outras religiões.
Deus
torna-se o único objeto possível de qualquer pensamento. E assim obstrui
qualquer novo avanço em conhecimento acerca das coisas do mundo e do homem.
Deus é a obturação fajuta de nossa
ignorância.
25-
Filósofo deve dar prova de seus ensinamentos com seus comportamentos.
Palavra
serve para trocar, comunicar, formular e não para separar.
Não há
religião do verbo, da palavra...
Materialismo
pragmático de Pierce - 1878.
A maior
felicidade possível para o maior número de pessoas. Bentham
e J.S.Mill.
Recusar o
pensamento nebuloso.
Avançar
em direção ao projeto obtendo resultados jubilosos.
Egodicéia é fruto
de um utilitarismo pragmático, como epifania da razão.
Chamfort-
imperativo categórico:
Frua e
faça fruir, sem fazer mal nem a você nem a ninguém.
Ironista.
Contraponho a teoria platônica do desejo como falta por uma democritiana do
excesso que traz o risco do transbordamento.
A palavra
Prazer histeriza ou paraliza. 29
Defendo o
pensamento totalizante, abarcante, o sistema.
Sou por uma erótica solar.
Epísteme
judaica – cristã.
Hoje, oVirtual parece mais verdadeiro que o
real.
Ficção
substitui a realidade.
Mundo
devoto do presente, desconectado do passado e sem relação com o futuro.
Niilismo
se difunde entre duas civilizações que
se descolam e se deslocam no avatar do espaço-tempo da História.
O Baixo
Império romano vive entre o fim de uma epísteme pagã e greco-romana com os
primeiros tempos de uma epísteme cristã.
Conviviam
pléiades de gnosticismos, milenarismos, apocalípticos, o irracional
generalizado - o hermetismo, o misticismo,
a astrologia, a alquimia, a
magia, a bruxaria...
Hoje
vigora desinteresse pela prática religiosa dominical e pelos gadgets do
Vaticano, a par de um perigo ecológico
planetário, de uma mundialização econômica liberal bruta, uma dominação do
mercado, acompanhada de uma negação da dignidade e da humanidade da maioria das
populações.
No
entanto, persistem as lógicas que há 20 séculos impregnam o funcionamento da sociedade
européia. Memes. Vírus
funestos e daninhos, inoculados cedo, sem autorização, em nossas até então inocentes crianças.
Deus está
longe de ter morrido, mesmo após Leucipo, Nietzsche e Freud.
Pessoas cultivam o gosto do irracional para
responder ao trágico do real.
A
laicidade com carimbo de 1905 ainda não se tornou dinâmica, evolutiva,
dialética, (charmosa e captativa MAB), numa palavra, pós-moderna. Ainda
reservamos e deixamos ao outro um lugar
cardeal:
- Deus ou
amor ao próximo;
- O
livre-arbítrio preconizado ignora os determinismos da carga genética, da
constituição, dos condicionamentos familiares, das cruéis vicissitudes
econômicas, sociais, políticas e históricas. Donde a crença na mentira do LIVRE-ARBITRIO, que implica atribuir-nos perfeita e
plena responsabilidade pessoal por
nossos ensandecidos atos e comedimentos, o que justifica a sanção, seguida de
punição por parte do GRANDE OUTRO, esse que se arvora nosso falso criador e
nosso dono. Para logo nos acenar com a remissão e a salvação em um outro éden
jamais concretizado..
-
Não há poder salvífico na dor, na doença, no sofrimento, no
sacrifício, nem na morte.
-
– Deus não dá a
doença, muito menos a cura.
Vaticano – um Estado de Opereta.
Acontecem transmissões irracionais minudentes, a família, a
sociedade e a mídia injetam, inoculam, internalizam a epísteme – os memes –
judaicos e cristãos, indecentemente e sem autorização, no corpo inocente e
plástico de cada criança, determinando sua progressiva identidade como pessoa e
como grupo.
A descristianização não ganha nas vias de fato, na marra.
Onfray
acredita no desmonte teórico e na
reconquista de oxigenadas novidades mais adequadas pelas ( novas e
melhores MAB) idéias.
Em todo
fim de civilização, pulula o irracional, o pensamento mágico. Quando uma
cultura rui, após uma longa desagregação, é sempre em beneficio de
efervescências pulsionais instintivas, animais. A ponta nobre cede lugar ao
magma das energias primitivas. Após a razão, o insensato prevalece e
recrudesce.
A Europa
foi cristã. Hoje, é cada vez menos, em
face de um espetacular processo de cansaço pelas incongruências contidas nas
mentiras cristícolas.
Um
ateísmo verdadeiro entroniza as luzes da razão e as clarezas da filosofia
ocidental, a partir dos pioneiros abade Meslier, Holbach, La Mettrie. Ateismo
pós-cristão.
O
principio bovarístico afirma que os homens não querem se ver tais como são:
limitados em sua duração, escassos em sua potência, incipientes em seu saber, e
paucipotentes em seu poder.
Em
consequência, eles ficcionam um personagem conceitual (no qual injetam MAB)
dotado dos atributos que lhe faltam. Assim, Deus é eterno, imortal, onipotente,
onipresente, onisciente, protetor, misericordioso, salvador, etc. Mas também,
desde Javeh, ciumento, incontentável, raivoso, mau, castigador, exclusivista,
carente de mimos, implacável, indecidido, ambíguo e exigente. (MAB).
Deus é
alienação forjada pelos homens segundo o principio da hipóstase de suas
próprias impotências, concentradas numa força inumana, adorada como uma essência
separada de si. 39
Elaboremos
uma moral mais modesta, no entanto, capaz de produzir efeitos reais. Não mais
uma ética do herói, do santo, do líder, do star, do campeão,
docapitalista, da virgem prolífica, da mãe, da esposa, mas uma ética do sábio.
Modesta
mas factível e viável, como preconizam Epicuro e Lucrécio.
Uma regra
imanente do gozo
Enquanto
Deus triunfa, a moral é uma subseção da teologia. Deus basta e serve de
resposta para tudo. A teologia basta para tudo, mesmo quando glossolálica, falastrônica,
verborrágica, e convoluta em suas trampolinagens e volteios explicativos.
O clero
dá plantão 24 horas todo dia. E dá pitaco em tudo: perguntou? Eles respondem,
discursos avelhantados, prontos a enganar quem se compraz em desfrutar de não verdades modernas.
A
teologia é falsamente a ciência do divino.
A Revolução Francesa, Marx, Nietzsche, Freud
libertam a moral e a política do céu e da teologia.
Milenarismo,
o pensamento apocalíptico, o discurso messiânico e profético embebiam as
odisséias sociais e socialistas, utópicas e comunistas.
A nojenta
guerra de 14-18 sangrou o Ocidente.
A saída
foi estética: em 1917 com o anartista Marcel Duchamp pulverizou 20 séculos de teoria clássica do Belo.
Plotino:
cada um deve ser escultor de sua estátua. A priori, o ser é oco, é
vazio. A posteriori, ele é o que dele foi feito e o que se fez dele. A
obra se constrói. Como o ser. A existência precede a essência. 44
Produzimos
um EU, um Ego, uma Subjetividade radical. A epifania de uma soberania inédita:
um EU maiúsculo.
Não um
gênio, um herói ou um santo. Nem um star.
Escrita
de si num modo lógico e operante MAB.
Somente a força operativa de um EU autoriza o
deslanchar de uma moral.
O EU
querido, injetado por uma potência, espadana-se no entrejogo constituído no
embate com os determinismos: genético, histórico, social, econômico, psíquico,
geográfico, sociológico, relacional, ao sabor frutuoso do acaso, e mesmo do
intencional. Fatores atuam do exterior ,a interferir e a moldar um Ego que
recebe, acolhe, integra, seleciona, elabora selvagemente (impenitentemente),
todas as forças vindas do arrevezo e da brutalidade do mundo, descompassado,
corrompido e muito criticável.
A
assistemática das assistências curativas dançam em torno desses Egos falhos, desses EUS quebrados, identidades inacabadas, seres
fracassados em seu projeto perturbado de vir a ser.
Há necessidade de um
adestramento neuronal.
Desde
Leucipo, contra a ficção deleuziana de um corpo sem órgãos.
O corpo é a
grande razão, instruindo pela outra grande razão que é o cérebro. Com
Nietzsche.
A moral
se aprende. É uma rede neuronal cabeada, forjada pelos pais, pelos educadores,
a família, o meio, a época.47
Interação
entre individuo e sociedade: a moral invisível se reinaugura como ética
particular, pessoal, temporal e imanente.
É
imperativa a construção de um cérebro ético para uma revolução política.
Intersubjetividade
pacificada, alegre, feliz. Uma paz psíquica; uma tranquilidade em ser. Relações
fáceis com o outro. O refinamento, a polidez, a cortesia, a boa-fé, o respeito
à palavra emprenhada; a coerência entre palavras, os fatos e feitos.
Submissão
drástica do animal em cada um e o nascimento do humano nos homem.
Evitar e
suplantar negatividades: fissuras, fragilidades, rachaduras, incompletudes, partes de sombra,
dominação da pulsão de morte, sádica, masoquista, inconscientes, ganhos
inteiramente para a destruição ou para a autodestruição.
Deficientes
ou delinquentes relacionais. São aqueles todos incapazes decotrair, logo, de
manter, qualquer relação ética.
Evita-los com todo esgueiramento de um belo toureiro.
– Todo psiquismo danificado corrompe o que toca.
O
hedonismo busca o prazer e evita o desprazer. Busca uma escultura de si:
Eumetria.
Evitar por em risco o núcleo
duro da sua identidade.
Não amar quem é detestável.
O sal da existência é a BONDADE. Amor, afeição, ternura,
doçura, prestimosidade, delicadeza, civilidade, cordialidade, polidez,
amenidade, gentileza, atenção, cortesia, clemência, dedicação, longanimidade,
magnanimidade, prontidão, doação. Essas virtudes criam a excelência – areté
– de um vinculo.
A ética é
a questão de vida cotidiana, num adejar de borboleta, nas encarnações
infinitesimais no tecido fino das relações intimas humanas.
Epícuro: não concordar com um prazer
aqui que custa um desprazer logo depois. 54
Fruição sem consciência
- como nas drogas de curtição –
acarreta inexorável ruína da pessoa.
O sofrimento é o mal
absoluto.
Há prazer
real em ser ético e em praticar a moral, em virtude da solicitação do feixe
hedônico dopaminérgico das recompensas na massa cinzenta.
A
preocupação com o outro – o núcleo duro de toda a moral – esta implicada na
aritmética dos prazeres pessoais.
Moral é a
arte minimalista de detalhe: um gesto, um sorriso, um elogio, uma atenção. 55
E não a
pregação laica de um filosofo que faz malabarismos com o Bem em si ou com a
Virtude postada num absoluto.
O hábito pressupõe o
adestramento neuronal.
Fora do campo etológico, de comportamento
animal. Somente as civilizações fissuradas, submetidas por mais fortes que
ela, praticam a impolidez em série.
Uma
erótica solar O ideal ascético
O corpo
esquizofrênico europeu, que se odeia, que salva em si a ficção de uma pretensa
alma imaterial e imortal e que termina fruindo da pulsão de morte – Judaica,
Pitagórica, Platônica, Cristã, Escolastica, idealista, alemã.
Uma
libido que se expressa como miséria sexual, derivada das pulsões mais brutas do
cérebro reptiliano. Nenhuma arte do gozo Católica. Mito do desejo como carência
e não como busca de completude.
Procura-se
o inexistente: o príncipe encantado e obtém-se o desencanto, a decepção e o
ressentimento.
Nunca o real suporta a
comparação com o ideal.
Eros
provém do clinamen das partículas ( a queda, a declinação, o entrecruzamento
dos átomos), preconizadas em intuição
pelo filósofo materialista.
Donde a
necessidade de uma erótica pós-cristã, solar e atômica.
Onde o
bovarismo fala de amor, de alma irmã, de príncipe e de princesa, a razão
enxerga um contrato social ou um seguro de vida existencial.
O
discurso amoroso mascara a realidade da espécie. A razão dos feromônios, lei da espécie do mamífero com
neocórtex.
Seccionado,
encontrando sua metade, o par não terá de perfazer seu amálgama existencial
pela produção de um terceiro, de um
quarto...uma ninhada de filhos. MAB
Para ser
e durar, a sociedade deve enjaular a potência selvagem e sem lei do desejo em
estado nascente. Reduzir a nada a potência do feminino.
Os homens
codificam o sexo. Para suprir o libido, o um ungido de Deus determina que o
sexo é sujo, que o desejo é culpado, o prazer imundo e a mulher definitivamente
tentadora e pecadora.
Ver as
elucubrações de Paulo de Tarso em suas Epístolas concedendo o sexo apenas
dentro da castidade familiar. A libido enlanguece na repetição e no tédio,
tornando o individuo apaixonado libertario e nômade, em sujeito acomodado, a
servidão se torna voluntária. Alienado, a vitima acaba por encontrar prazer na
renúncia de si.
II – Uma
libido literária
Amor x
sexualidade x procriação.
Eros
leve.
A relação
sexual visa desfrutar o puro presente viver o instante magnificado, esgotar o
aqui e agora em sua quintessência. Por uma intersubjetividade leve, doce e
terna.
Construir
situações eróticas leves , define o primeiro grau de uma arte de amar
pós-cristã, digna deste nome.
O puro instante
não exclui sua duplicação, sua multiplicação. Constrói-se uma história erótica
peça por peça.
A máquina
solteira.
Conserva
a prerrogativa e o uso de sua liberdade em vez de:
Nada, tudo, nada
quando se coloca no outro tudo de
que se quer e se precisa, para um novo padrão de relação
Nada, mais, muito.
Só existe
a lei da ausência da lei: só existem os casos particulares e a necessidade que
tem cada um de construir de acordo com os projetos que convém à sua
idiossincrasia. O bovarismo nega a realidade, mas o real mina o edifício
conceitual platônico e desfaz a ficção mantida unicamente pela vontade de crer
nas histórias das carochinhas.
Escolha
pela esterilidade voluntária.
A grade
analítica da visão pergunta:
-
Por que fazer filhos?
O
adestramento neuronal necessário á construção de um filho não tolera em só mito
de desatenção. Exige presença permanente sem trégua.
Você
destrói um ser com um silêncio, uma omissão, um suspiro, uma resposta diferida,
sem perceber, cansado pela vida cotidiana.
O que
quer que você faça, a educação é sempre fracassada. Disse Freud.
Confusão
entre a mulher, a mãe, a esposa e a operária no mercado confunde a cabeça do filho.
III – A
hospitalidade carnal.
As
condições lúdicas.
O
adultério burguês, os intercâmbios tarifados, do inevitável trio clandestino.
A arte
combinatória do Eros leve, supõe a diversidade de parceiros. Cada um dá o que
tem, o que pode e o que quer disponibilizar. Ciúme, inveja, ressentimento,
possessão, desejo de vingança, são demonstrações evidentes da verdade
etológica, surgidos da besta-fera reptiliana. Daí a necessária discrição...Por
uma libertinagem feminina. A natureza,
faz de seu determinismo biológico, um destino. Sobretudo para com as mulheres,
já nos advertia Camille Paglia, em 1992.
IV – Uma
estética cínica.
1 -
Bibelôs da teologia negativa são as glossolalias sobre o inefável, o indizível,
o incomunicável, o velado e o mistério insondável.
A
intenção do artista produz a obra.
A arte
contemporânea surgiu após o primeiro pré-feito.
O belo morreu
junto com Deus, em sua relação homotética – Belo o Deus tocam seus negócios.
Desteologização da arte. Rematerialização do seu objetivo.
Os tempos
contemporâneos virtuais e digitais, nanoeletrônicos, conhecem tão somente o
puro e simples presente espesso
e inconsequente. Na proliferação de possibilidades, o melhor vai de par com o
pior, a obra-prima se avizinha da porcaria.
2 – Uma
psicopatologia da arte.
Modernidade
niilista, mercantil e liberal domina o uso de objetos.
Vigarice:
qualquer nulidade plástica é legitimada por uma douta citação de Deleuze ou de
franceses.
Platão
persiste. Religião da mercadoria, com seu clero: galerias, colecionadores,
compradores.
A arte
provém de um mundo exterior a arte contemporânea serve ce espelho a nossa época
desagregada, cindida, corrompida, inconsequente e muito criticável.
3 – Uma
arte cínica.
Hegel
chega atrasado para dizer uma tolice: Diógenes só tem anedotas a contar.
O cinismo
é uma antiplatonismo, anti-idealista, antiespiritualista, materialista,
Só existe
o real e só ele conta, a realidade se reduz á sua materialidade. A ironia, a
subversão, a provocação, os modelos ativam o melhor dos métodos. O corpo pagão
é o único bem que dispomos a vida é uma festa.
Evitar o Fedon
que nega a vida.
A idéia
não existe, pois só existe a realidade tangível, sensível, palpável, material e
concreta.
Cinosargo.
Academia. Pórtico.
A forma
não é em fim: ela porta, sustenta, enquadra, revelo o fundo.
Forma que avaliza a celebração da vacuidade, do
vazio de conteúdo.
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