Coragem
Florilégio sapiencial
Marco Aurélio Baggio
Pois a coragem cresce com a ocasião.
Shakespeare. Rei João: ato II
A coragem é a filha da prudência, não da
temeridade. Calderón de La Barca. 1600-1681.
As grandes coisas
são obtidas à custa de grandes perigos.
Heródoto.
Nos
perigos graves, atropela-se toda razão.
Cervantes.
Corajoso
diante dos perigos e pusilânime diante dos aborrecimentos. Baroja e Messi.
Desse
modo a consciência faz de todos nós covardes.
Shakespeare - Hamlet.
Corajoso
é quem suporta sabiamente o que de pior a boca humana exala. Timão de Atenas.
A
valentia sem um ideal que a enobreça degrada-se em ferocidade . Coelho Neto.
Guimarães Rosa em Grande sertão:
veredas. 19ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005..
Que comandar é só
assim: ficar quieto e ter mais coragem.
570.
Mas
se o senhor firme aguentar de não temer, de jeito nenhum, a coragem sua redobra
e tresdobra, que até espanta. 302.
Confesso.
Eu cá não madruguei em ser corajoso; isto é, coragem em mim era variável. 38.
Queria
entender do medo e da coragem, e da gã que empurra a gente para fazer tantos
atos, dar corpo ao suceder. 79.
Carece
de ter coragem. 83.
Vau
do mundo é a coragem. 232.
Tenho
medo? Não. Estou dando batalha. 237.
Correr
da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. 24.
A vida é para esse sarro de medo se destruir;
jagunço sabe. Outros contam de outra maneira.
278.
Ei retenteia! Coragem faz
coragem. 284.
O maior direito que é meu – o que
quero e sobre quero - é que ninguém tem
o direito de fazer medo em mim...
Viver – não é? É muito perigoso.
Porque ainda não se sabe. Porque aprender-a-viver é o que é o viver,
mesmo. 601.
Para principiar qualquer tarefa, quase
que eu sozinho nunca tive coragem. 99.
Mas, que coragem inteirada em peça era
aquela, a dele? 125.
Diadorim: O
único homem que a coragem dele nunca piscava.
444.
Coragem,
alegria, facção, realização, resultado fecundo, satisfação, são os ingredientes
para a travessia da vida.
Viver – não é? – é muito perigoso. Porque ainda não se sabe.
Porque o aprender-a-viver é que é o viver, mesmo. O sertão me produz, depois me
enguliu, depois me cuspiu do quente da boca... 601.
É com coragem que há de se afastar o
medo e a tristeza que constrangem e coarctam as livres disponibilidades do ser
em transcurso.
-
Ai
foi o que eu pensei o inferno feio deste mundo: que nele não se pode ver a
força carregado nas costas a justiça e o alto poder existindo só para os braços da maior bondade. 406.
-
Mas o nosso bom São Marcos Vaqueiro,
viajeiro, ajudou; primeiro mandou forte desalento; depois, então, a coragem.
“Vida ensinada”. 204.
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