sexta-feira, 15 de março de 2013

A LIBERDADE


A LIBERDADE   
O bem maior sobre a face da terra  

Marco Aurélio Baggio


 

Liberdade é o sentimento de que o sujeito é agente ativo de suas prerrogativas. Ele sente que tem poder de agir e de se conduzir segundo seu desejo, seu bom senso, de acordo com seu alvedrio.


A pessoa livre é aquela que avalia suas circunstâncias, leva em conta suas determinações, ultrapassa sua inércia, escolhe, implementa seu ato criativo, avança na expressão de seu valor como ator no cenário deste mundo.


       A liberdade é uma aspiração, um alento sutil que se asperge por sobre a pessoa, dando-lhe a deliciosa sensação ilusória de que possui um poder de arbítrio livre de condicionantes. Ela implanta no sujeito a confiança de que ele é idealizador e o executor do que for preciso para superar suas necessidades.

Liberdade implica a prerrogativa do sujeito de se orientar rumo à tomada de decisão, seguida pela atitude definitória que comanda o curso de sua ação, no qual ele comete um feito – o ato livre –, que é uma verdadeira obra de arte pessoal. O requisito antecessor para assim agir é o sujeito estar apetrechado de informações que lhe proporcionam amplo conhecimento de causa.

Dotados de uma natureza vacilante de animais sujeitos a todo tipo de necessidades e de adoecimentos e, pior ainda, estando condenados a viver renegando a verruma da consciência de nossa própria morte, ainda assim, temos de nos responsabilizar moralmente pelas decisões e pelos rumos que impomos a nossa vida.

Seres de fome, de sexo, de inveja, de cobiça, irascíveis e querelantes, ávidos de dinheiro, de reconhecimento e de garantia, somos convidados a negar nossa natureza e empreender escolhas virtuosas e benignas.

Nossa liberdade de escolha é apenas a de nos “espremer para limonadas”. Estamos condenados a exercer nossa pequena franja de liberdade ao sabor do bambalango dos fatores operantes endógenos e externos, extraindo-lhes, sagazmente, uma resultante que nos projeta para além deles. Temos de escapar espertamente da lei da natureza: ela cria coisas novas, destruindo as coisas já estabelecidas. Para viver e ir adiante, o homem usa sua parca liberdade, superando necessidades, contradições, empecilhos e impasses, escapando para o campo ainda devoluto do novo e do airoso.

É nessa nova posição que ele aufere as benesses dos ares finos de sua liberdade.

Vivemos em um mundo em que a grande imprensa tem o eficiente poder de expressão para difundir uma propaganda mistificadora que transforma o sujeito livre em um leitor, em um espectador ou em um consumidor.

Em prazo médio, a mídia não sustenta pessoa nenhuma.       Trata-se de uma proposta difusa de dispersão do sujeito de seus interesses, impedindo que esse se empenhe na construção daquilo que lhe falta: no estabelecimento de sua consistência como pessoa que se sustenta, do modo que lhe convém.       É necessário e justo acautelar o cidadão para só ceder parcela de sua liberdade, desde que obtenha um intercâmbio valioso. A rigor, troca-se liberdade por coisas que são convenientes e sustentadoras.

Por fim, é bom lembrar que a liberdade traz, em si, uma volúpia de controle. Livre, leve, solto, o cidadão, muitas vezes, busca restabelecer a relação de subordinação ao outro, para sentir-se seguro. Explica-se assim o porquê de milhões de pessoas livres se lançarem, espontaneamente, em redes de captura do sujeito. O fumo, a droga, o jogo, o sexo, a comida, o vício, a compulsão, as quadrilhas e as seitas religiosas são excelentes dispositivos que restringem, violenta e definitivamente, a liberdade das pessoas, desviando suas trajetórias de vida, de maneira inapelável, para um rótulo: viciado, obeso, bêbado, drogado, fanático, crente, bandido. Agora, viciado em Internet. 

O excesso de liberdade, muitas vezes, desvirtua e perverte os homens. O Ocidente, no entanto, é lasso e permite que psicopatas abusem de sua liberdade gerando, pelo excesso, uma ensandecida patologia da liberdade.

A liberdade não pode dar vezo a que o indivíduo descometa em suas prerrogativas como sujeito nem exorbite seus desejos, atropelando o direito dos demais.
Toda liberdade excessiva tem de ser severamente coibida. Só assim os finozinhos ares da liberdade podem ser aspirados em plenitude por todos nós.

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